segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011 | By: Pimenthynha

Dias Difíceis!

Este final de semana acabei revivendo sentimentos que pensei estarem se acalmando, revivi dores e lembranças terríveis de violências que permiti, passiva, que ocorressem na minha vida. Chorei um pouco, me acalmei, olhei para mim, chorei mais. Expulsei mais alguns sapos engasgados dentro de mim, aos poucos esses monstros estão indo embora, não importa o quão rápido queira que eles se vão, alguns ainda demoram a ser digeridos. Já fazem 5 meses, que confesso, foram os mais dolorosos, mais incríveis e deliciosos de toda a minha vida! É tão incoerente, não? Mas é exatamente isso. Experimentei o êxtase da descoberta, redescoberta, reiventei-me, juntei os cacos que valiam a pena de mim e colei-os, o que não me servia, estou jogando fora, aos poucos. Cada caquinho que ainda resta disso é dor, costuma-me vir a cabeça uma coisa todas as vezes que penso nisso, "vai pensar até que se torne insuportável". Depois como uma leve brisa vai passar, soprando deliciosos sentimentos positivos e vitoriosos. Ultimamente esses acontecimentos vêm sendo cada vez mais espaçados, ocorrem e somem por semanas. Mas sem aviso prévio, tomam conta de mim e se vão tão misteriosamente como vieram. Estou me reconstruindo. Mas algumas coisas ainda me despertam uma grande dor, normalmente sonho com elas, acordo em prantos, com um vazio inexplicável e com raiva. Não queria sentir isso, mas não controlo, apenas sinto, deixo vir e mando embora, lembrando do quanto sou feliz, de quantas pessoas amáveis fazem parte da minha vida, de quantas vitórias conquisto todos os dias, e principalmente, de quem sou e jamais deixarei de ser, por nada neste mundo. Meus valores, caráter, dignidade, da verdade com que conduzo minha vida e principalmente a fidelidade e lealdade que dedico a todos de minhas relações. Quando penso nos "porquês" de tanta maldade, tanta mentira e traição, procuro coisas para me acalmar, acabo percebendo que as melhores pessoas desse mundo, sofrem rasteiras desse tipo várias vezes ao longo da vida. É fácil traçar o caminho do mal, da mentira, do engano e essas pessoas até tem satisfações momentâneas, dificil é levar a vida com verdade e sinceridade, é doloroso, pessoas assim são enganadas, magoadas todos os dias, mas essa é a única forma de realmente conquistar uma vida sólida, digna e principalmente, conquistar o amor verdadeiro. Que  assim seja, não vou perder essa capacidade de ver o lado bom das coisas, nem de ver o quanto sou feliz, nem de continuar pensando nos outros e procurando formas de fazê-los felizes. Antiquada, é assim que as pessoas costumam me ver, uma romântica que não tem vergonha de assumir pra todos, "sou uma monogâmica assumida". Não acredito em relações baseadas em mentiras e nunca mais trarei isso pra minha vida, nem permitirei que façam de mim o que bem entendem. 
Me dei um tempo, estou cuidando de mim. Recomecei. Pela primeira vez estou fazendo o que realmente me dá prazer e o mais importante de tudo, resgatando a mim mesma, que há anos nem lembrava que existia. Até eu me surpreendo, mas sou assim e nunca mais permitirei que me tirem esse direito, o de ser!


Encotrei um texto no blog Palavras ao Vento que me emocionou muito. Sinto exatamente a mesma coisa que ela sentiu, em todos os aspectos. A separação em si não é tão dolorosa, a maior dor de todas é a constatação da morte de um amor, é a parte mais lamentável de tudo. Como tudo se transforma, modifica, distancia, e por mais que uma das partes tente, dê tudo de si, se o outro não aceita só resta mesmo é cada um seguir seu caminho. Vivi momentos exatamente como os dela, por anos acorrentada em uma história que me fazia infeliz, tentando, perdoando, suportando, aguentando firme, fingindo acreditar nas mentiras, repetindo mentalmente para ver se estas se tornariam verdade. Me sobrou uma frustração sem tamanho, mas mais do que isso, acabei encontrando forças para me reformular e mudar de vida, mas demoraram anos, tempo demais quando olho pra trás. Mas aconteceu, só espero que logo possa esquecer completamente, tenho esperança que estes rompantes de lembranças vão embora de vez, pois são sentimentos que sinceramente não quero mais carregar, os quais só me trazem sofrimento e tristeza, afinal já acabou e me sinto muito grata por ter chegado ao fim, pois se me perguntarem se me lembro de alguma coisa boa, desculpem, não consigo! 5 anos e meio de tristeza e escuridão, pra mim é só isso. A única coisa que desejo do fundo do meu coração é esquecer e seguir em frente.
Peço licença a Nathalia e transcrevo seu texto com todo o respeito, pois nele ela conseguiu descrever não só o seu sentimento naquele momento, mas também o meu e o de tantas outras mulheres maravilhosas e reais por aí.

Obrigada a todos.






 As últimas palavras de um grande amor

Ontem, quando te olhei bem no fundo dos olhos, como há muito não fazia, senti um gelo percorrendo a minha espinha. Meu coração parou de bater por um instante, meus sentidos todos silenciaram ao mesmo tempo e foram finalmente tomados pela voz da razão.
Naquele exato momento, compreendi porque nunca mais havia te olhando tão de perto: para não reconhecer a verdade escrita em seus olhos e marcada no meu coração: eu já não te amo mais.
Eu não queria admitir isso nem a mim mesma, e neste momento sinto um vazio muito grande dentro do meu coração, mas este vazio nada tem haver com saudade ou solidão por sua partida: é puro medo da realidade. Confessar e aceitar que meu sentimento por você acabou, me obriga a encarar a minha própria vida, e ela é grande demais para mim, além de desconhecida. Nunca soube quem eu mesma sou, passei a vida inteira tentando encontrar uma pessoa para ser, uma vida para encaixar a minha vida e ali ficar, sem ter que me preocupar comigo, sem ter que me reconhecer, sem ter que me firmar e buscar minha própria identidade. Acontece que meus planos deram todos errados, e hoje estou aqui me desvendando, me descobrindo, me revivendo e, acredite: estou encantada comigo mesma! Tenho muito mais potencial do que poderia um dia imaginar, posso ser feliz sozinha, como jamais me acreditei capaz de ser, aprendi a respeitar o tempo e não deixar a dor me machucar a ponto de me derrubar.
O homem que eu amei sabia me fazer rir, transformava tudo em alegria com sua simples presença. O homem que eu amei fazia sentir-me bem em sua companhia, me trazia segurança com seu abraço, me alentava com seu corpo quente e presente. O homem que eu amei tinha um brilho nos olhos, sonhos e objetivos a realizar e não machucava as outras pessoas com palavras e atitudes hostis. O homem que eu amei era responsável sem ser chato, era engraçado sem ser palhaço, era sincero sem ser desagradável, era desorganizado sem ser relaxado, era distante sem ser frio. O homem que eu amei tinha um coração e trazia sentimentos dentro dele, que, embora ocultos, sabiam-se ali.
O homem que eu amei nada tem do homem que encarei ontem. A frieza do seu olhar e a incerteza de suas palavras congelaram a minha alma. A imagem ainda é um pouco parecida, mas as semelhanças param por aí. Sinceramente, não sei que é a pessoa que fitei ontem, e isso doeu no fundo da minha alma. Não é saudade e nem lamento, é só tristeza por notar que às vezes algumas coisas mudam para pior, involuem. É dor por pensar em tudo o que poderia ter sido e simplesmente não foi porque a sua escolha foi mudar de direção e, infelizmente, seguir o caminho errado. É mágoa por constatar que as coisas ruins conseguiram pesar mais na balança do que todas as coisas boas que vivemos, e as anularam. É vazio por saber que, sim, eu fiz a escolha errada mais uma vez nessa minha vida e passei cinco anos amargando suas consequências.
Tudo isso me fez perceber que estava alimentando e sofrendo por um sentimento falso, que já nem existia mais dentro de mim, que estava insistindo em um caminho que me trazia dor, desconforto e sofrimento, e eu me senti muito mal com essa descoberta, principalmente ao constatar quanto tempo da minha vida eu joguei no lixo enquanto buscava as respostas que se encontram dentro de mim nos braços de outras pessoas.
Eu te amei, sim, e acredito que nem tão cedo amarei outra pessoa com a mesma intensidade, com o mesmo desejo, com a mesma loucura, mas simplesmente não amo mais, porque amor não-correspondido não é amor. Se causa sofrimento, não é amor. Se estar ao lado da pessoa e não sentir alegria, não é amor. Se as palavras não bastam e nem mesmo os olhares explicam, não é amor.
Eu não te amo mais, porque a dor e a devastação que você causou na minha vida são muito maiores do que as alegrias que me trouxe. Eu não te amo mais porque não me encontro no seu silêncio, não entendo a sua linguagem, não concordo com as suas atitudes, não compactuo com as suas mentiras. Eu não te amo mais porque você jamais me amou.
Eu fiquei acreditando nesse amor e lutando por ele por todos esses anos para fugir de mim, para não ter que me encarar no espelho e admitir que a hora de olhar para dentro de mim chegara e não dava mais para evitar.
Eu acreditei nesse amor para não ter que admitir os meus próprios erros, para não ter que mudar, para não precisar trilhar o longo e difícil caminho do autoconhecimento e do amor próprio, que são os libertadores de todas as almas.
Eu acreditei nesse amor para não ver ruir o meu sonho de ter uma família nos moldes que me foram ensinados.
Eu acreditei nesse amor para não ter que me olhar no espelho e admitir que eu sempre me odiei, que eu não cuidei de mim o suficiente para não te deixar me machucar, que eu nunca tive autoestima, que eu passei a vida inteira buscando por um amor que só eu mesma posso me dar.
É por isso que hoje eu desisto publicamente desse amor que talvez nunca tenha sido de verdade, não para você. Fecho as portas para dor e me abro para um novo mundo, de novas possibilidades, com novos horizontes.
Fecho as portas para você, para abri-las para mim. Deixo de ouvir as suas palavras que nada acrescentam em minha vida para ouvir o meu silêncio, que hoje me liberta. Abandono as suas verdades para buscar as minhas próprias verdades. Calo a voz de um coração partido para ouvir a voz da minha razão, que me pede desesperadamente para ser feliz.
Eu sei que vou encontrar o meu próprio caminho, não importa quanto tempo isso demore. E, por mais que eu não compreenda suas escolhas, hoje as aceito e respeito. Não se pode mudar uma pessoa que não quer e nem pensa em mudança, apenas rezo e peço a Deus que você seja muito feliz com a vida que escolheu. Porque amor que é amor não deixa de ser amor nem mesmo quando acaba, deixa guardado no fundo do coração uma lembrança boa do que um dia foi felicidade.